Lembra quando DUAS SEMANAS atrás olhávamos assombrados para as 800 mortes diárias na Itália?
Nem dois dias atrás os EUA registraram QUATRO MIL E QUINHENTAS mortes em um único dia (média acima de 2000 mortes/dia). E cada vez menos pessoas se importam. No dia 04/04 eu escrevia nesse perfil sobre a dessensibilização.
Pra mim, já está confirmado. Naturalizamos a doença, os números, as mortes, até os rostos. Muitos estão naturalizando até a morte de parentes. Uma sociedade não sobrevive de leis formais, mas de uma coesão social saudável, coletivista, que se preocupa verdadeiramente com os outros. Leis/Decretos são escritos por essas pessoas.
Passei 3 dias sem escrever aqui, além de estar cuidando de outras coisas (trabalho e pessoal) também porque precisava desligar e reenergizar. Infelizmente, sociedades só crescem organicamente pelo exercício da experiencia. Alertar, apontar, mitigar é cada vez mais desgastante e menos efetivo.
Estou falando nos nossos micro-relacionamentos, com as pessoas próximas, não quando eu tento atingir os trirrienses como um todo. Cada vez mais a corda do cabo de guerra está arrebentando e puxá-la vem perdendo sentido social.
As vezes dá vontade só de fazer o mínimo e traçar um cordão de isolamento nas pessoas próximas dispostas a se precaver e deixar que as circunstâncias ensinem as demais pessoas.
É menos sobre isolamento vertical ou horizontal e mais sobre o fato de, no fundo, sermos extremamente inconsequente uns com os outros.
Amanhã farei meu boletim sobre a cidade e o Brasil, para quem se importa em interagir e se informar por esse perfil. Por hoje fico por aqui.
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