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Números de um mês de COVID no Brasil e em Três Rios

 


Vamos para nossa reflexão mais ou menos semanal sobre o Corona Vírus em Três Rios e no Brasil. As coisas não estão boas e só não vê quem não quer. Nosso país passou a marca de 40 mil infectados e amanhã chegará a 3000 mortos oficiais. Praticamente em 30 dias tivemos mais de 2500 mortos, e seguindo a tendência dobraremos esse número em menos de 7 dias.

*OBS: Depois de lançar os dados oficiais do dia 20/04 o MS retificou dizendo que haveria por volta de 100 mortes invés de quase 400 (em 24h). Isso modifica os pontos 2 e 3 e lança mais um sinal de alerta para o fato de que logo após a mudança de equipe ministerial na Saúde, os números de mortes misteriosamente caíram pela metade. Vou observar a tendência nos próximos 2 dias.

1 - É importante ressaltar que alguns especialistas estimam que estamos realizando 43x MENOS testes que a Espanha por exemplo, e ainda assim temos um mês antes quase metade das mortes diárias.
Estimativas apontam que possam existir até 11x mais infectados, e mais de 10 mil mortes (de acordo com cartórios e o crescimento abrupto de mortes por doenças pulmonares correlatas ao COVID que não foi testada para doença).

2 - Não é seguro afirmar, mas algo a ser observado, que na troca de Ministros o número de mortes caiu pela metade, o que pode ser mera coincidência, afinal nos dias seguintes voltou a crescer. Não existe motivo factual para acreditar agora que existe interferência nos números oficiais, mas estamos atentos. *Ler a OBS no início

3 - Semana passada eu acreditava que as mortes chegariam a 400 por dia talvez no final dessa semana, mas no boletim de hoje (20/04 - segunda) chegou a quase 400. É possível que a realidade no Domingo (26/04) seja bem mais triste. *Ler a OBS no ínicio.

4 - IMPORTANTÍSSIMO, espero estar errado, mas essa semana é possível que boa parte dos sistemas de saúde de capitais atinjam seus limites, o que transbordará para o interior. Ou seja, é possível que no inicio da semana que vem o Brasil já não tenha mais um só leito vago.

5 - Esse é um gancho para falar de Três Rios, que no boletim de hoje apresentou 5 internações. O número de internações vem crescendo rápido lembrando da nossa baixa capacidade de absorver (ainda com os investimentos em ampliação da capacidade)

6 - Ainda mais problemático considerando o que eu sempre digo sobre Três Rios absorver questões regionais. A abertura do comércio de Paraíba do Sul, os relatos de morosidade nas ações de combate em Sapucaia, e a explosão de casos em Petrópolis, só por exemplo, nos afeta diretamente.
Paraíba do Sul não tem nenhum leito de UTI e sua demanda por saúde é absorvida por Três Rios. Mais do que isso, a abertura do comércio na contra mão de todas as outras cidades pode gerar um fluxo de pessoas (e vírus) anormal para realidade sul-paraibana, que depois será difícil de controlar.

7 - Também foi uma semana triste para região, registramos mortes em Sapucaia, dezenas de novos casos nos municípios fronteiriços, mortes sendo testadas em Três Rios.

8 - Em Três Rios, e essa é uma boa notícia, apesar de eu não ter visto divulgado em fonte oficial mesmo tendo cobrado o prefeito para tal, parece que os tais testes rápidos finalmente estão sendo usadas. É notório o impacto nas estatísticas e na capacidade de combater a doença.

Finalmente casos de familiares assintomáticos estão aparecendo (que são perigosos porque gera falsa sensação de segurança e faz com que essas pessoas infectem outras). Além disso é bom ver que os novos casos notificados (numericamente) agora tem equilíbrio com os descartados e confirmados.

Antes Três Rios notificava quase 70 casos em uma semana, e recebia 7 resultados. Por esses dias tem havido um equilíbrio.

9 - Vou endereçar aqui a polêmica dos casos curados (que o boletim agora PODE informar já que possui testes rápidos). A variável "Casos curados" é um alento mas é pouco expressiva no combate. PODE porque os casos confirmados com sintomas no final de março tinham que passar por um segundo teste para atestar cura, parece que agora isso é feito.

O apego aos "números curados" só serve para quem quer argumentar números com números. Se a doença afeta 20 milhões de pessoas, 18 milhões se curam você fica feliz, ou triste por 2 milhões de mortos?

Acompanhar os curados tem diversas outras importâncias, tanto para o paciente, quanto para ver se existe caso de recontaminação, e outras políticas preventivas. Mas para nós, pessoas comuns, ela interessa muito pouco. A cura demora de 14 a 30 dias. Estamos tendo evoluções severas da doença em intervalos de 7-10 dias. Ou seja, ninguém cura rápido suficiente para desocupar um leito, ou "voltar ao trabalho" sem botar ninguém em risco.

10 - Essa possivelmente será a última semana em que os indicadores da doença podem ser lidos mais ou menos de forma local (por cidade). Considerando a superlotação do sistema de saúde, contaminação dos profissionais de saúde, logo veremos o efeito cascata.

Poucas pessoas entenderam que até agora estávamos enfrentando a doença aqui, mas também construindo um muro contra a doença de fora. Em comparação, uma tsunami é precedida por um momento de calmaria absoluta do mar.

Olhamos para a capital, para Petrópolis, para Volta Redonda, para Juiz de Fora e estamos vendo a água da praia recuar, a onda formar, mas ainda vamos sentir o impacto.

Mantenham-se firmes, continuam colocando tijolos nesse muro, não importa aqueles que desdenham e ridicularizam os esforços. Sigam as orientações da OMS. Cuidem uns dos outros.

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